13 junho 2011

Amor que eu imaginei nunca ser possível

Que amor é esse? Não foi a primeira vez. Me segurei para conter o choro hoje. Evitei passar pelo papel comum, mas está cada vez mais difícil.
Primeiro você surge linda. Com a mão na frente do rosto, como se estivesse com vergonha de mim. Ou, só para judiar, tentando manter-se escondida até o dia do encontro natural.
Vi a metade, talez um quarto do seu rosto. Todo em tom marrom, meio ofuscado.
Icrível como és do jeito que eu imaginei, como tens os traços que os sonhos me contaram esse tempo todo.
Precavido fui conhecer o local onde vamos nos encontrar. Tudo lá me fazia lembrar de ti. A frase fez todo o sentido hoje. Senti saudade até do que não vivi.
Estou aqui. Te espero e conto os dias para te ver de novo, mesmo sem nunca ter te olhado antes. E já te amo de um jeito que nunca imaginei ser possível amar alguém.

15 março 2010

Hora de voltar ao Paraguai

Sei lá quantos anos depois, amanhã é dia de voltar ao Paraguai. Tenho dúvidas se usei o verbo mais adequado dado o enorme espaço entre minha última ida ao país vizinho, reino dos produtos mais baratos.
O que a memória me permite lembrar, e lá se vão pelo menos quinze anos, o ônibus vinha de Mogi das Cruzes, no Alto Tiête, já cheio de gente. Meus pais, eu e mais uma boa dose de amigos os aguardávamos já com os lugares reservados.
Era sempre noite de sexta-feira quando nosso vôo rasteiro deixava para trás a amada Guarulhos e colocava o prumo para o Sul. Umas 12 horas (às vezes 15) de estrada separavam a capital financeira do Brasil da cidade dos preços baixos.
Não existiam tantas opções em aparelhos eletrônicos. A moda eram os carrinhos de ferro, as canetas de todos os tipos. Os Mega-Drive (com os dizeres da caixa escritos em japonês) e coisas do tipo.
Professores de amor e ofício, meus pais não viviam disso. Mas é fato que as viagens até o Paraguai ajudavam a completar a renda e facilitavam a criação de quatro filhos. Razão pela qual as sacolas voltavam sempre repletas de novidades para os vizinhos.
Passou-se o tempo. Meus pais, graças ao bom Deus, não precisam mais sustentar os filhos. Foram todos bem criados, formados e entregues ao mundo. A distância segue a mesma, mas o meio de transporte cumpre a tarefa com muito mais agilidade.
Quando entrar no Paraguai, vou agradecer ao país por ter de alguma forma ajudado na minha formação.

29 dezembro 2009

Férias



Quando o avião pousou em Vitória, achei que o caminho estava pelo menos na metade. A uma hora e pouco que levamos entre Guarulhos e a capital capixaba me dava sinais de que a viagem seria curta e rápida.
Ledo engano.

No táxi, o motorista dizia que de Vitória à Conceição da Barra eu gastaria mais cinco horas e pouco de viagem. Achei se tratar de uma enorme bobagem dele, já que a distância entre as duas cidades não chega na casa dos 300 km.
Enquanto o carro branco fazia o trajeto aeroporto-rodoviária, achei por bem dar uma olhada na Internet para consultar horários da passagem entre as duas cidades do Espírito Santo.

Segunda má notícia. A companhia Águia Branca, a única que faz o trecho, só tinha passagem as quatro e meia, e ainda nem passávamos do meio dia.
As coisas não andavam boas. Logo na chegada ao terminal de ônibus, apenas uma empresa tinha uma fila enorme: a minha. A tal da águia branca tinha pelo menos umas 30 pessoas na espera e atendia com dois funcionários.

Hora da Internet novamente. Ainda na fila, acessei o site da empresa. Os 15 lugares restantes para o único coletivo do dia, agora eram seis. Ainda na fila, me pus a comprar o bilhete pele rede.

Sem perder meu lugar na espera física, é claro.

Verdade que o atendimento na web é rápido. Mas como sempre tem um cadastro a ser feito, uns dados a preencher..

Ganhei no máximo duas casas na fila e as duas passagens virtuais já estavam compradas. Era só esperar por um email de confirmação e ...

Seis passagens restantes não permitem esperar pelo tal email.

Ligo na companhia, mais dois, três minutos na espera. (Ainda no final da fila, que realmente não andava). A simpática menina confirma que os assentos 1 e 2 estão no nome de Guilherme Prado.

Ufa.

Pena que o relógio não colaborou; e os ponteiros estão ainda longes das 16h30, escritas nos meus bilhetes de embarque.
Café, banheiro, revistaria, leitura, Internet... de tudo um pouco. As mais de horas passaram.

No meu lugar, logo atrás do comandante, vejo entrar todo tipo de gente a uma péssima notícia: o cara do táxi tinha razão. O motorista se apresenta e diz a todos os passageiros que o trecho será cumprida em cinco horas e meia.

Como a distância é inferior a 300 km, eu que sou bastante modesto em ciências exatas, chego a conclusão que meu destemido capitão irá cruzar as estradas capixabas com média inferior a 60 km/hora.

Na verdade não é assim. O ônibus é bem mais confortável e espaçoso que o avião da Gol que peguei no começo do dia. Mas ele para tanto durante o trajeto que me lembra a via-crúcis.

Um punhado de cidade que nunca ouvi e mais um monte que não lembro o nome...
Pouquinho para frente das dez da noite, chegamos a rodoviária. Só nós dois. Todo o resto foi descendo pelo caminho, seja na própria Conceição ou nas infinitas paradas que o coletivo fez durante o dia.

A rodoviária é bem simples e está simpaticamente fechada. Pior, eu ainda tenho que cortar mais quase 30 km, a maioria de terra, para chegar ao destino final. E olhei que pensei em chegar lá às seis da tarde.

Não, não tem ônibus àquela hora. O ponto de táxi da cidade está vazio e apagado. Mas tem um número de telefone. Ligo, é claro, o número fixo toca ao meu lado.

Uma farmácia está aberta, bem a frente. Não, não vou comprar um dormonide e passar a noite na rua. Nem a pau.

Peço o fone de um taxista. Solicito demais, Tião da Farmácia me diz que é comum os motoristas fazerem o trajeto que preciso. E me dá o número de um, são oito os profissionais que atende a cidade toda.

Dede, não atende. Ligo de novo. Passa para caixa-postal direto. Parece que a coisa vai piorar.

A boa notícia.

Aparece o carro do Dede, com outro cara. O bravo motorista é separado e foi ficar com a filha, deixou o carro com o amigo para fazer o serviço.

Setenta reais a menos no bolso, parto finalmente ao vilarejo.

A estrada é boa. A falta do asfalto é opção dos nativos. Querem manter a reserva e a vila longe das modernidades e do excesso de turista. Quarenta e poucos minutos, chego finalmente em Itaúnas.

Hora de curtir minha semana de férias.

23 dezembro 2009

O meu injusto balanço de 2009

Fazer um balanço do ano para mim é sempre cometer uma enorme injustiça. Eu não consigo lembrar de muita coisa, e acabo sempre por deixar fatos marcantes e importantes de fora. E o pior: acabo por listar alguns que não tem grande valor. Ou seja, minhas vagas lembranças não são lá muito seletivas.
Mesmo assim, vou tentar ver o que lembro.
Meu pai está melhor de saúde. Não sei dizer ao certo se ele voltou a ter crises de depressão esse ano. Mas é fato que ele chega ao final da temporada em grande fase. Dezesseis quilos mais magro, com o diabete controlado. Trabalhando e presente em casa.
Minha mãe virou guerreira. Assumiu papéis que não eram dela. Sonha com a casa nova. Pinta, borda e cria. Curte as meninas que não teve como filhas, mas que Papai do Céu lhe deu em abundancia como netas.
Ganhei a Malu, uma menina linda, cheia de saúde e que, com parcos nove meses, já tenta os primeiros passos. O primeiro ano completo da Marina a colocou na fase mais linda da vida. O aprendizado constante é mágico, apaixonante e acaba com meu coração.
Bons amigos voltaram para mais perto. A curtição ao lado deles foi fato marcante, se bem que de uns meses para cá eu fiquei um tanto mais recluso. E os grandes momentos com eles foram mais presentes no primeiro semestre.
Depois de uma justa e necessária temporada sozinho, parece chegada a hora de tentar a companhia novamente. Por acaso, como gosto que seja, a vida me deu provas que era hora de tentar.
Operei a vista. Comprei o carro. Mas segui com a moto. Perdi a Lua, valorizei o Fred. Viajei a passeio. Trabalhei muito, como sempre. Não lembro ter chorado. Ri demais. Fui Tio, quase uma rotina.
Bebi com os amigos. Comi demais com eles. Voltei a nadar. E lá se foram cinco quilos. Emprestei minha cama. Perdi o reinado. Dormi no chão, na sala, e fora.
Curti o melhor carnaval do mundo. Não fiz a festa de 30 anos, com o samba e tudo, como queria.
Melhorei. Tenho orgulho da minha história. Entendo melhor meus erros. E tento os respeitar demais. Sem eles não seria esse meu caminho. Não ligo que apareçam as primeiras rugas e os cabelos brancos.
Me chatearia não ter história para contar.

12 novembro 2009

30 Vela, no singular mesmo

Achei que o dia do seu aniversário era uma boa data de começarmos com isso. Doze de novembro. Um dia sem graça. Um mês depois do dia de Nossa Senhora Aparecida, minha padroeira, e dois após o aniversário do Seo Ademir, meu pai.
A história começa sábado passado, quando o Bat entrou no campo aconteceu o inevitável. A pergunta veio na minha cabeça: “há quanto tempo, a gente não consegue ter o prazer de jogar bola junto”.
Tá certo, nunca fomos do nível dele. Mas também estávamos longe de não sermos escolhidos para os dois primeiros times, e assim ficar para na incômoda situação de o primeiro próximo, posto sempre ocupado pelo saudoso Zé Asa.
Difícil entender quando as coisas começam, ganham velocidade, chegam ao auge, diminuem, até ficarem quase paradas. E voltam de novo, correm, atingem o topo...
Apesar da quadra ser o ponto alto, tudo se deve ao palco. Pelo menos é o que diz minha péssima memória. Não fostes tu o protagonista, o dono da porca; e eu o santo mudo, não teria a mesma força.
Sob o comando das três irmãs, aprendemos juntos a brincar de fantasia. De se comunicar sem palavras e brincar com o improviso. De estar pronto para o erro, em estado de alerta para superar o esquecimento, e doido de vontade de fazer graça.
Parece bobagem. Mas quando ouço você dizer que sabe como jogo, é porque conhece minha forma de pensar. Entende o que eu digo, mesmo sem pronunciar uma palavra. E sabe como funciona meu improviso.
O palco é tão importante quanto o campo. É ali, vestido e fantasiado como nos nossos sonhos, que conseguimos sair do nosso papel, da nossa vida. Para estar por poucos momentos em lugares que nunca chegaríamos no dia-a-dia.

12 agosto 2009

Os astros

Será mesmo que o dia e o mês de nascimento de uma pessoa são assim tão importantes para definir um caráter, um jeito de agir? Terá isso mais força que a educação, a criação, a religião, as escolhas e as amizades que um indivíduo fez na vida?
Mesmo sabendo que as quatro semanas lunares tem 28 dias e o mês tem 30, 31, 28, as vezes 29?
Por que será que umas pessoas querem antes saber o signo e depois, a família, os amigos, a religião, a história?
Nascido em gêmeos, me considero bem mais que isso. Sou filho de professores, irmão de músicos e militares. Neto de descentes de escravos, portugueses e espanhóis. Amigo de gente de tudo quanto é jeito, só para dar o exemplo familiar.
Com todo respeito a astros, estrelas e planetas. Vocês intrigam, ajudam, indicam o bom caminho aos navegantes e as marés aos pescadores. Mas da minha história e do meu jeito de ser, desculpem, vocês não dão palpite.

09 agosto 2009

Dia dos pais

Papai do Céu, o primeiro e mais importante, obrigado pelo seu substituto..

Meu Pai, obrigado pelo carinho, educação e amor que dá desde sempre.

Meus três irmãos, obrigado por terem me dado o prazer a honra de ser pai dos vossos filhos algumas horas por semana.

Fiel, filho, irmão, tio e padrinho.

Na certeza que e alguns momentos desses meus papéis também sou pai de vez em quando.

08 agosto 2009

Doce companhia

As poucas mulheres que passaram uma noite comigo, sempre disseram que sou bom de cama. Não, calma. Isso não faz nenhuma menção com meu modesto desempenho sexual. A afirmação tem relação direta com a absurda facilidade que tenho de dormir.

Basta apenas eu dizer o bom e velho “boa noite”, e fechar os olhos. Poucos segundos separam as derradeira frase, da tremida que anuncia minha estada nos braços de Orfeu.

Sou melhor ainda quando entro no avião. Se durmo pouco na noite anterior, então, ninguém me segura. Antes mesmo de levantar vôo, eu já estou em alfa. Raras vezes, percebo o decolar.

Pois bem. Foram pouco menos de três horas de repouso entre o delicioso show da Banda Glória e o despertar para o trabalho do sábado cedo. Mais três voltas do ponteiro e o almoço, depois direto para o aeroporto.

O trecho que divide as capitais paulista e carioca demora pouco mais de meia hora. Tem mais aquele tempo até levantar asas, daria uns cinqüenta minutos de sono...

Daria...

Ao ver que ao lado minha poltrona encontrava-se uma linda menina de sete anos com a perna quebrada, percebi que meus planos corriam sério risco. Antonia, galega como a Maria e o Heitor, voltava do Chile e me ganhou de cara.

Foram cinqüenta deliciosos minutos de vôo. A história de como quebrou o fêmur quando esquiava. A vida em Petrópolis, a casa de praia e Angra, as duas semanas a mais de férias pela gripe, suína, tudo..

Inteligência, simpatia e ingenuidade impressionantes. Um sorriso lindo, uma altivez cativante..

Não dormi, mas descansei como se tivesse hibernado por anos...

11 julho 2009

O imã e o pastor

Quando entrou na sala, o imã Muhammad Ashafa deparou com seu maior inimigo, o pastor pentecostal James Wuye. Sentiu seu sangue borbulhar. Ali estava o homem que havia liderado a milícia cristã que matara seu mentor espiritual, dois primos e vários amigos. Muhammad virou o rosto. Ao ver o imã, um arrepio de ódio trespassou o corpo do pastor. Sua mão esquerda apertou a direita. Ele sentiu a textura fria da prótese. O muçulmano que respirava o mesmo ar que ele na sala repentinamente abafada comandara a milícia islâmica que decepara seu braço com um golpe de machete. Líderes religiosos, eles haviam sido chamados à casa de governo de Kaduna, no centro da Nigéria, para discutir uma campanha de vacinação contra a poliomielite. Entre os dois, pairava o fantasma de milhares de cadáveres. Seu único desejo era matar. Um ao outro.

O que aconteceu nos minutos seguintes vem mudando o mundo – deles e de todos nós. Um jornalista que os conhecia puxou o pastor e tocou o ombro do imã. Apresentou-os. Juntou suas mãos e disse: “O futuro deste país está em suas mãos. Vocês podem construir ou destruir a Nigéria”. Os dois se encararam, sem armas pela primeira vez. “Até então, eu vinha rezando com fervor por uma oportunidade de vingar minha mão”, diz James. “Quando ele pôs a mão sobre a minha, meu coração estava disparado”, afirma Muhammad. “Como vou me relacionar com esse cara? E as minhas feridas? E a minha vingança? Quando o vi, senti todas as feridas que cicatrizavam dentro de mim abrindo novamente. Eu suava. Meu rosto sorria para ele, mas, por dentro, eu fervia.”

O pastor James Wuye e o imã Muhammad Ashafa contaram sua história durante sua primeira visita ao Brasil, no final de junho, para trazer sua experiência ao Antídoto – Seminário internacional de ações culturais em zonas de conflito, a convite do Itaú Cultural. Ao ouvi-los, a pergunta que ecoa sem parar é: como foi possível para aqueles dois homens superar tanto ódio, tanta dor, tanto sangue derramado?

James e Muhammad são a síntese do conflito religioso que divide a Nigéria, ocupada ao norte por muçulmanos, ao sul por cristãos. No centro do país, Kaduna, onde ambos vivem, é espremida por forças opostas. As disputas religiosas são a porção mais visível das diferenças acirradas pela colonização britânica. Em 1914, os ingleses juntaram sul e norte, num país inventado em gabinete. No lado de dentro das fronteiras riscadas no papel, uma população dividida em 250 etnias, com costumes e culturas diferentes, fervilhava em ódios mútuos. Com 150 milhões de habitantes separados em trincheiras de rancor, a Nigéria está sempre a um segundo de explodir.

Para o pastor e o imã, o ponto de virada começou em maio de 1995, naquele aperto de mãos na sede da administração de Kaduna. Mas somente um ano depois voltaram a se encontrar em público para o primeiro de muitos diálogos inter-religiosos. Durante o ano que passou, Muhammad deu o primeiro passo, ao procurar James na igreja. Ao vê-lo em território inimigo, o cristão concluiu que o muçulmano pretendia obter informações estratégicas para usar no próximo conflito. Vinha não para se aproximar, mas para espionar. Estava certo, como confessou Muhammad depois. Mas, aos poucos, algo começou a acontecer com eles. Dentro deles. Descobriram-se mais semelhantes que diferentes.

O muçulmano e o cristão perceberam que sua infância fora parecida, que vinham do mesmo gueto, tinham os mesmos medos e as mesmas aspirações, ambos olhavam para mulheres bonitas e gostavam de futebol. “Quando conversamos, descobrimos que ambos tivemos uma juventude bastante aventureira. Eu perguntava: ‘Você também fez isso? Oh, boy!’”, diz o pastor James. Trocam olhares cúmplices. Mas nenhum dos dois conta o que ambos tinham feito na tal “juventude aventureira”.

09 junho 2009

Caixa de entrada

Amigo de longa, me mandou esse email. Na verdade, mandou para bastante gente, eu só tive a honra de estar na lista..

"

“Combati o bom combate, acabei a corrida, guardei a fé”, assim é um trecho da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo, capítulo 4, versículo 7.

Assim, citando uma das mais belas passagens da Bíblia e fonte para jamais me deixar abater diante das dificuldades, que me deparo com o término de uma grande jornada. A partir sai o homem, o marido e entra em primeiro e único lugar o pai.

Encerra-se um ciclo de pensar em mim e parte para cuidar única e exclusivamente em outra vida, mas não há o temer. Em 37 anos de vida, a esmagadora deles muito bem vividos, eu aprendi que só não há jeito para escapar da morte, é clichê, é?? Mas foi o que de melhor me veio neste momento.

Pois bem, amigos, é hoje o primeiro grande dia de muitos que virão pela frente. Por volta das 16h30, dona Edna dará a luz a nossa amada filha, quero compartilhar com todos vocês a alegria de colocar um mais um ser humano neste mundo e celebrarmos a vida, dom maior que Deus nos proporciona.

São muitos os que contribuíram para que o casal Edna e Rosa chegasse neste momento certo de que fizemos a melhor escolha de nossas vidas, que seria cometer grandes injustiças passar a citar este ou aquele, com o risco de deixar escapar alguém.

Em todo caso, fica aqui o convite para vocês conhecerem mais tarde a Bagunchinha, que depois de idas e vindas será registrada como Anna Rhubia Santos Rosa..."

Lindo, meu amigo



26 março 2009

De onde ele nunca deveria ter saído

Meu amigo liga, quer conselhos sobre uma nova paquera. Conta que teve um lance sensacional com ela. Dois dias de carinho, amor e todos os mais picantes detalhes, que não me permito tornar público.
Filho da garoa e neto da gandaia, ele parecia disposto a largar a mal falada família para se entregar ao novo amor. Fez tudo como manda o figurino. Ligou e escreveu à nova amada. E avisou aos amigos que estava em viés de alta, tal como a CELIC.
As ligações, para sua nobre surpresa, não foram sequer atendidas. Azar, pensou ele. Tentou os recursos digitais, email, Orkut e mais um monte de coisas que, com minha ignorância nesse sentido, não sei explicar.
Não houve, mais uma vez, nenhuma evolução no contato direto.
Já desolado, ela teve a impressão de ter a visto na rua. Encheu o peito de coragem e pumba: escreveu de novo, via mensagem de celular. Era o dia de sorte do meu bom amigo. Cinco minutos depois, mensagem respondida.
Ele fez a tréplica, tal como um político nos debates eleitorais. E era mesmo a lua dele. Mais rápida ainda a resposta voltou. Era a hora da cartada final.
A mensagem dele era simples, queria ligar para ela e parar de mandar mensagem, que ele diz detestar fazer.
Foi seu erro.
Ficou sem resposta. Tentou ligar, não foi atendido. Desolado.
Ligou para sua mãe e avó. Horas depois estava de novo, sob a saia da garoa, de mão dada com a gandaia, de onde, agora ele parece saber, nunca deveria ter saído.

11 março 2009

O trem que chega é o mesmo trem da partida

O trem que chega é o mesmo trem da partida

A frase não é minha, alias, acho que nunca fiz uma sentença minha mesmo. Tudo que escrevo ou falo são palavras e pensamentos picados que juntei ao longo e transformei no meu repertório.
Mas bem que poderia ter sido criada por mim. Poucas vezes um grupo de palavras juntas expressou de forma tão clara o meu sentimento durante um dia.
Ele começou cedo, quando a luz azul do meu celular avisou que uma mensagem de texto me aguardava para ser lida. Podia ser tanta gente, tanta coisa, que esperei um pouco para levantar da cama e ler.
Domingo, as oito e pouco da manhã, não é comum receber mensagem, ainda mais sendo eu um rapaz solteiro. A noite curta e o pouco tempo de sono me impediram de ver na hora o que aquela luz azul queria me dizer.
A frase era curta, mas a notícia era ótima. Dizia assim: Sua sobrinha nacerá hoje (É, a emoção fez meu irmão esquecer a letra S que vem antes de C).
Os mais de 500 quilômetros que me separavam do acontecimento me deram um misto de emoções. A felicidade pela chegada da Malu, que já veio com apelido. A apreensão que envolve o parto e, por incrível que pareça, a saudade de alguém que ainda nem tinha nascido.
Dali um tempo a ansiedade me fez ligar para saber notícias do parto. Dessa vez a conversa foi mais longa e a notícia péssima.
Não, nada em relação à Maria Luiza que ainda esperava a chegada do médico para mostrar a carinha linda que vi dias depois.
Mas justamente na outra ponta da família, uma estrelinha nos deixava para morar ao lado do Papai do Céu para sempre.
Mais uma vez a distância me derrubou. Queria estar perto, celebrar com um irmão e chorar com o outro. Ver o sorriso de uma cunhada e sofrer com as lágrimas da outra.
Cheguei a pedir a Deus para que as coisas não acontecessem no mesmo dia. A chegada estava marcada para o dia 11 e a partida, que já sabíamos era inevitável, aconteceria quando Deus mandasse.
Errado. As duas coisas vieram no dia que Papai do Céu entendeu ser o melhor.
O trem que chega foi, de fato, o mesmo trem da partida.
Ou como me disse aquele metido a ateu: Foi-se uma estrela e chegou uma outra.

30 outubro 2008

Para você

Quando se joga bola desde pequeno, aprende-se a ganhar e perder. Por vezes até empatar. Desde cedo, você sabe que não vencer é parte do jogo, por mais chato de doloroso que pareça.

Passa um tempo e a vida fica parecida com o jogo de bola da pré-escola. Em quase tudo, temos que vencer ou seremos derrotados. E os empates passam a ser artigos raros, quase que um sonho de criança, onde todos saem felizes, ou pelo menos não tristes.

Cada derrota deixa uma lição e principalmente um vencedor que tem algo a mais que nós. Nos serve de estímulo para sermos melhores e tentarmos estar mais fortes para a batalha seguinte.

Perdi para muita gente boa e nunca consegui, por mais que tentasse, chegar perto da qualidade dos vencedores. Mas perdi para muitos piores que eu, quando não me preparei ou não me concentrei completamente.

De todos meus adversários, um eu nunca conseguir combater: o medo. Por vezes ele estava em mim, em outras tantas estava justamente do outro lado. Quando era eu que tinha tal sentimento guardado era até mais fácil. Brigava, lutava e conseguia passar..

Mas quando é em você.... Não é só mais doloroso, é mais difícil. Fico refém de algo que não deixa lutar. Uma coisa que me amarra sem cordas ou algemas, que me deixa sem saber em qual direção devo seguir.

Talvez seja hora de deixar que a vida me mostre o melhor caminho. Tempo de parar e esperar ver no que a vida dá.

Ou não. Pode ser a oportunidade de lutar ..

O que machuca mesmo é não saber a resposta

29 agosto 2008

Menina

Certa vez toca o telefone. Como boa parte dos dias, estava em viagem. Sozinho no quarto, o nome escrito na tela do celular não engana. Aquelas letras juntas formam uma palavra conhecida há anos, mais de uma década, certamente.

A voz do outro lado da linha é a mesma. O rosto que vem a memória também é aquele que o tempo não consegue apagar da cabeça. A história é quase secreta. Pouca gente sabe. Talvez só os dois envolvidos no caso.

Lembra de uma promessa antiga. Na verdade, ela nem termina de falar e ele responde. Diz saber do que se trata. E que o trato, garante, estará de pé. Que os anos entre o acordo e os dias atuais não fizeram com que o pacto fosse esquecido.

Deixado de lado durante anos, eles parecem saber do que falam. Não era conversa criança. Afinal eles passaram há um bom tempo da adolescência e não esqueceram aquele assunto, nem daquele sentimento, daquele carinho.

O tempo é curto. Também foi da última que vez que se aproximaram. Como daquela vez, a decisão de um dos lados está tomada. O outro torce para a sorte e felicidade dela, mas no fundo sofre um pouco. Talvez quisesse que algo desse errado. Ou sonha ter um cavalo branco para impedir tudo aquilo, como em um filme.

A conversa não é rápida. Repleta de histórias e lembranças, algumas lamentações destoam das risadas que sempre marcaram o relacionamento. O riso que nem a distância não apagou. Muito pelo contrário. Quanto mais longe, a saudade faz com cada conversa entre eles seja quase uma festa.

Nostalgia. Carinho. Respeito. Promessa. Risada.

E quem sabe um dia essa linha paralela quebre a regra matemática. Se cruze. E complete aquilo que eles por vezes acham ser o destino de ambos.

25 julho 2008

O chato

Nessas viagens de cá pra lá vivo coisas que pouca gente acredita. Comida, lugares, pessoas … tudo enfim tem sua particularidade. Outro dia eu me tornei refém. Não, nenhum bandido me sequestrou ou coisa do gênero.
Fui refém de um chato.
Começou na quarta. Estava em conexão. Saído do Nordeste e com destino ao Sul, parei para fazer baldiação em Cumbica. Meu telefone tocou e o visor dava conta de um número começado com 41. Normal, as pessoas de Curitiba estavam mesmo a nossa espera.
Mal sabia eu que ali começaria a tortura.
Do outro lado estava Jeferson. Falando palavras sem respirar. Uma atrás da outra, como se fosse um feirante com banca cheia e perto do meio-dia. Queria o que a maioria das pessoas me pedem. E que eu, raramente, posso atender.
Deveria ter cortado de cara. Mas minha difilcudade em dizer não, impediu. Informei sobre a dificuldade do pedido e disse que tentaria ver com meus superiores.
Ao chegar na capital paranaense, meu celular chama. E já era quase meia-noite. Era ele de novo. Mais desesperado ainda. Queria saber se eu tinha conseguido. Pô, eu nem tinha tentado ainda.
A saga continuou no dia seguinte. Meu fone tocava e era sempre ele. Eu dizia que só saberia a tarde. Mas ele ligou umas seis vezes pela manhã para ter certeza se seria mesmo SÓ A TARDE.
Quando cai a noite, ele vem ao hotel. E volta a me ligar. Eu já não atendo mais. Ele consegue falar com um amigo meu. Diz que me deixou um presente na recpção e que está a minha espera.
Deitado na cama no quarto. Digo ao meu amigo que estou jantando for a e que não consegui o que ele queria. Terminei explicando que não posso aceitar o presente.
Nada adianta. Nos dias que se seguem são mais inúmeras chamadas. E passo a sair do hotel sem passar pela recpeção. Vou sempre pela garagem. O fone do quarto chama e eu nem dou bola. No meu celular só falo com os números que conheço.
Tudo por causa de um chato.

10 junho 2008

Nem que seja numa caixa de sentimentos

Começar o dia sem poder planejar o fim. O compromisso das oito é para acertar o evento marcado para a tarde. O telefone toca as 7:50, não era despertador. Era trabalho. No café frutas e suco, faz parte dessa dieta maluca que criei e que tem me mantido bem.
Passeio na praia em frente ao mar. Passear? Não, pensar e imaginar uma solução bacana, que funcione para ambos os lados. O Gugu liga. Caramba lá se foi uma semana que eu não vi meu irmão.
O local me agrada. Plano feito, acertado e arresta aparada. Hora da leitura. Não dessa vez não vai ser o livro do mago, que me fez companhia durante as cinco horas de vôo. Quero hard-news, as últimas manter-me informado. Tão importante quanto as frutas do regime.
O meio dia chega tão rápido que me dá medo pensar que sobra uma metade das 24 horas. Salada e carne. Ando meio de mal com arros e feijão. Alias não sou mais aquele grande amigo da cozinha. O fogão então, coitado, perdeu um aliado há pouco mais de um ano.
Labuta. O plano vai bem. Dentro do imaginado. Está quase tudo pronto e resolvido. Pelo menos eu espero.
Telefone toca. É de São Paulo. Nossa, vai dar zica. Meu descanso está por um triz. Por um fio daqueles bem finos. Cassilda, ele subiu no telhado. Foi fazer companhia à dupla Cazuza e Sena.
Cinqüenta minutos de carro. Nada de paisagens de cartão postal. Ruas normais, como aquelas que vejo todo dia. Chego a pensar que Guarulhos veio até aqui comigo. Escuro, murro sujo, rua estranha. Nada de pria.
Confusão. Mais uma boa pegada de trabalho.
Hora de voltar, é tarde. Quase uma hora de estrada. O telefone ficou sem bateria. A salada do almoço segue heróica e solitária missão de manter-me são. Vou de lanche. Com batata frita. Isso não faz parte da dieta.
Fujo da conversa pós. Vou à máquina. Encontro amigos. Falo de mim. De medo e preocupação com o parceiro dos tempos de faculdade. Encontro a companhia mais comum dos últimos tempos. Falamos juntos. Dor dela, encanto meu.
Hora de parar. Amanhã? Ainda não sei. Pro final da semana, a vontade de ver as crianças e amigos. O compromisso de cuidar da tristeza dele. Tem a prima querida. O namorado dela. Tem trabalho. Vai ter caber tudo isso. Nem que seja numa caixa de sentimentos.

16 maio 2008

Nove dias fora

Fazer as malas. Juntar um pouco de roupa, colocar o livro na bolsa. Não esquecer do computador. Levar a máquina fotográfica, quando der. Respirar fundo. Beijar meus pais. Ligar pros irmãos e sobrinhos. Dar um alô pros amigos.

Partir. Viver hora longe e outra perto tem vantagens e dores. Conhecer lugares, sabores, sotaques e sorrisos. Mas sente falta de casa, do sorriso e do abraço dela, do papo com os amigos. Sem domingo livre, saudade do futebol de sábado e do vinho do meio da semana.

Falta tempo pras crianças. O afilhado tem um ano e pouco, em breve vai começar a falar e talvez demore para associar a palavra padrinho à minha figura.

O visual da praia do futuro paga uma parte da conta. O peixe assado na chapa também ajuda com algum trocado. As emoções vividas e conhecidas na estrada me dão a certeza de que não precisarei pedir fiado. Talvez não seja tão duro.

Nove dias diretos?? Tinha dois aniversários, pai e filho. Amigos queridos. Vai ser parabéns por telefone. Eles entendem. Casa cheia não é sinal de amizade. Aprendi bem.

Brasía, Rio de Janeiro e Natal. O pé na estrada. A cabeça em tantas coisas. O coração tranquilo e sereno. Uma chance de ouro. A coragem, a satisfação e a realização de um sonho. O Pier é lindo. A Lagoa é linda. A capital me pareceu charmosa.... vale a pena...

12 abril 2008

Promessas de Um Idiota Às Seis da Manhã

Momento que aponta e revela
a cor da poesia
Ainda resta um pedaço da noite

Teimosa empurrando a barra do dia
Já se ouve os primeiros pardais
afinando a orquestra

É o início do dia de dor e de festa
Retrato inverso da Ave Maria
E eu prometo aderir ao sistema

Olhar a vitrine, o cartaz do cinema
Trocar minhas rugas de preocupações
pelo céu de Ipanema

Prometo viver a intenção do passado
Manter este corpo faceiro ao meu lado
O ar de menina sapeca e levada
do cabelo molhado

Falta pouco pra seis horas da manhã
É gente correndo atrás do destino e da compensação
Daqui a pouco são seis horas da manhã

Cada um no seu canto
vivendo do canto,
do acordo e do não

E eu prometo aviar a receita
do bolo da sorte, da boa colheita

Matar a angústia dessa juventude
Tão insatisfeita
Prometo trilhar o caminho mais certo

Cidadão comportado
ordeiro e correto
Dividir minha cama com a mulher amada
no momento deserto
Falta pouco...

16 março 2008

OIIIIIIII TIO GI QUERI TANTO TE VER MAS NAO DA

Certas coisas não se pagam. Quando tenho dúvidas sobre meus acertos e meus erros, pequenas situações me mostram qual caminho seguir.

Sempre gostei de criança. Adoro brincar, me fazer de bobo.. dar risada, beijar, paparicar.. Muitas passaram na minha vida. Pensei em ser pai. Cheguei a cogitar adotar uma menina linda que conheci no orfanato.

Mas foi com os filhos dos meus amigos que mais me diverti.
Acontece que um desses amigos tinha duas filhas (hoje tem três) a Rafa e a Bia. Ambas lindas e cada uma com sua personalidade. Uma mais corajosa, outra cheia de medo.. as duas bem carinhosas... e eu babando

Como perdi o contato com o pai delas no os últimos tempos, fiquei um longo período sem saber
delas. Até que encontrei com o progenitor, a toa. Num bar, sem querer.. Perguntei das meninas.

Ele disse na hora

- Sempre perguntam de você

Duvidei

No dia seguinte a Bia me adicionou para ser amigo dela no orkut. Achei uma graça, ela é bem pequena, deve ter uns sete anos.. Escrevi.. disse ter saudade, contei que mandei um beijo pelo pai dela..

Dias depois veio a resposta

bia:
OIIIIIIII TIO GI QUERI TANTO TE VER MAS NAO DA

Assim meu coraçãozinho não guenta

Reencontro, doze anos depois

Doze anos depois, o pessoal do colégio resolveu se reencontrar. Estudamos juntos até o final de 1996. Quando nos formamos, cada um seguiu seu caminho. Os mais próximos mantiveram contato, como aconteceu entre mim, o Du e o Gustavinho, só para citar um exemplo.
Acontece que as meninas também seguiram com laços de amizade, mesmo passado um duzia de primaveras ( e de todas as outras estações, é claro). E foram elas, que tiveram a idéia de reunir uma parta do pessoal novamente.
De cara, o local não me agradava. Não terminei a escola em clima amistoso com a Mariana, dona da casa. A mãe dela era nossa professora e por isso não era minha grande fã..... Tá bom.... Confesso não ter sido um grande aluno.
Fui com o Gu e a Miss e logo na chegada vi que a coisa era seria bacana. Dei de cara com duas meninas que não lembrei o nome. Logo que entrei encontrei com outras duas pessoas que não lembravam o meu.
Nada que cinco minutos de conversa não resolva. Matamos parte da saudade, ou não. Acho que fizemos ela bater mais forte. Lembranças de um tempo mais solto. Sem a responsabilidade, sem os compromissos de hoje.
A bagunça na aula. O terror que eu e o Gustavinho aprontavámos. O teatro ao lado do Du e da Mariana. As paqueras. As viagens. As provas.... poxa, vivemos um tempo único. Quando a escola era um prazer, mesmo que a aula fosse um saco.
Era lá que a gente namorava, que a gente dançava, que conhecia arte e que acima de tudo fazíamos amigos. Sorte nossa ainda hoje, doze anos depois, levar parte dessa história.