Devemos sempre aprender com mais velhos e ela sem dúvida tem muito que ensinar. Passadas mais de oito décadas de vida, os sinais do tempo são cada vez mais presentes. Entre vários fatores, chama atenção a dor na perna que atrapalha (mas não impede) o movimento.
Porém, o que mais tem incomodado ultimamente é a falta de memória. A cabeça que sempre funcionou muito bem, hoje confunde quase tudo. Pessoas, lugares, vontades e gostos..... tudo ficou embaralhado.
Os herdeiros sofrem com tudo. A cada esquecimento, cada falha de memória parece fazer um corte na alma dos mais novos. A troca de nome de um dos filhos ou netos. A confusão sobre a casa onde mora... tudo isso parece ferir aos outros.
Mas à ela não.
Confundiu-se, ela dá risada.
Esqueceu, atrapalhou, enganou-se... assim que ela percebe, ri... e ri bastante da situação.
Enquanto os outros choram e se desesperam com a situação. Ela vê graça. Aceita bem as limitações que idade lhe impõe. Luta contra. Faz tratamento, mas sabe que é complicado vencer essa luta.
Não há remédio para seu mal. E ela sabe. Talvez por causa disso, o segredo não seja prolongar a vida, e sim viver bem enquanto tiver vida.
Cada riso dela parece nos ensinar.
05 setembro 2007
04 setembro 2007
3 = 0
Manhã livre. Depois de dois dias puxados, resolvo aproveitar o tempo disponível para fazer uma caminhada. Diferente dos dias anteriores, dessa vez não vou correr. Quero andar e aproveitar o Sol forte.
Queria passar pelo menos uma hora, com o calor na cabeça e a mente livre. Andar e aproveitar para colocar os pensamentos em ordem, tarefa complicada nesses tempos de mudanças profissionais e pessoais.
Ao entrar no parque, uma menina me chama atenção. Caminha no sentido oposto ao meu. Está a menos de 30 metros. Lembro que a conheço, não me recordo de onde. Pronto. Já sei.
Ela passa, olha para o outro lado e finge não me ver.
A pista de caminhada é um círculo. Quando a encontrar na próxima volta, tomarei eu a iniciativa de dar oi, perguntar como está, saber dos amigos em comum entre outras coisas.
Dou mais duas voltas e não a encontro mais.
No almoço, vou ao restaurante.
Logo de cara, encontro com ELA. Não, não a menina do parque. Uma outra. Mas essa é bem mais especial. Tivemos um romance há algum tempo, coisa de 13 anos, eu acho.
Ela está bonita como sempre.
Penso em dizer oi. Acho melhor não. Vai que ela não lembra de mim. Insisto em olhar para ela, que nem se quer me nota.
Tudo bem, esqueço.
Entro, me sirvo, como. Hora de pagar e ir embora.
Quando vou ao caixa, ELA está de novo lá. Ficamos a menos de 20 centímetros e nada. Impossível ela não lembrar, assim como seria para mim também. Mas não conseguimos nem nos cumprimentar e olha estivemos lado a lado por duas vezes.
Saio do restaurante. Hora de pegar no trabalho, mas antes me deparo com outro rapaz bem conhecido.
Jogou bola e andou de skate comigo. Amigo de infância.
Agora ele é gari, está limpando a rua.
Olho para ele, quem sabe esse eu consiga dar pelo menos um olá. Nada. Ao me ver, abaixa a cabeça e desce a ladeira.
Três conhecidos. Amigos ou não. Um cada de lugar. Com tipo de relacionamento e lembranças diferentes. E nenhum Oi.
O mundo fica chato, as vezes.
Queria passar pelo menos uma hora, com o calor na cabeça e a mente livre. Andar e aproveitar para colocar os pensamentos em ordem, tarefa complicada nesses tempos de mudanças profissionais e pessoais.
Ao entrar no parque, uma menina me chama atenção. Caminha no sentido oposto ao meu. Está a menos de 30 metros. Lembro que a conheço, não me recordo de onde. Pronto. Já sei.
Ela passa, olha para o outro lado e finge não me ver.
A pista de caminhada é um círculo. Quando a encontrar na próxima volta, tomarei eu a iniciativa de dar oi, perguntar como está, saber dos amigos em comum entre outras coisas.
Dou mais duas voltas e não a encontro mais.
No almoço, vou ao restaurante.
Logo de cara, encontro com ELA. Não, não a menina do parque. Uma outra. Mas essa é bem mais especial. Tivemos um romance há algum tempo, coisa de 13 anos, eu acho.
Ela está bonita como sempre.
Penso em dizer oi. Acho melhor não. Vai que ela não lembra de mim. Insisto em olhar para ela, que nem se quer me nota.
Tudo bem, esqueço.
Entro, me sirvo, como. Hora de pagar e ir embora.
Quando vou ao caixa, ELA está de novo lá. Ficamos a menos de 20 centímetros e nada. Impossível ela não lembrar, assim como seria para mim também. Mas não conseguimos nem nos cumprimentar e olha estivemos lado a lado por duas vezes.
Saio do restaurante. Hora de pegar no trabalho, mas antes me deparo com outro rapaz bem conhecido.
Jogou bola e andou de skate comigo. Amigo de infância.
Agora ele é gari, está limpando a rua.
Olho para ele, quem sabe esse eu consiga dar pelo menos um olá. Nada. Ao me ver, abaixa a cabeça e desce a ladeira.
Três conhecidos. Amigos ou não. Um cada de lugar. Com tipo de relacionamento e lembranças diferentes. E nenhum Oi.
O mundo fica chato, as vezes.
03 setembro 2007
Patavinha
Semana passada foi publicada pela revista Forbes, uma lista com 50 mulheres mais poderosas do mundo. A vencedora da honraria foi a premiê alemã Angela Merkel, que ultrapassou, entre outras, a secretária de estado dos EUA Condoleezza Rice.
Sabe o que muda com a lista publicada pela Forbes?
Nada. Patavinha. Pelo menos para mim.
Não sei de onde surgiu esse tesão que se tem por lista. Tudo hoje em dia tem que estar no ranking dos melhores. As Maravilhas do Mundo. Os Melhores Restaurantes. Os mais ricos do Universo. Os mais bem pagos do cinema, esporte, televisão.
Talvez eu seja burro demais, mas não consigo comparar certas coisas.
Por exemplo, eu posso fazer uma lista dos meus 10 melhores amigos. Nunca contei para saber quantos são. E nem tão pouco posso dizer qual deles está na frente no meu ranking dos prediletos. São todos amigos e ponto.
Não sei qual a minha comida preferida. Sei quais as que gosto, mas se me derem Purê de Batata todo dia, ele vai cair na minha cotação.
Não sei qual foi o dia mais feliz da minha vida. Não sei qual meu irmão ou sobrinho preferido. Não tenho certeza de qual foi minha melhor viagem, nem minha melhor atuação em partida de buraco.
Não sei qual foi os beijos e olha que nem foi um grande beijoqueiro. Lembro dos grandes abraços, mas não posso dizer qual deles foi o mais gostoso. Seria uma grande injustiça que faria com todos os outros.
O filósofo tinha razão quando disse: Tudo que sei é que nada sei.
No meu caso, sei pouca coisa. E essas eu guardo só para mim.
Sabe o que muda com a lista publicada pela Forbes?
Nada. Patavinha. Pelo menos para mim.
Não sei de onde surgiu esse tesão que se tem por lista. Tudo hoje em dia tem que estar no ranking dos melhores. As Maravilhas do Mundo. Os Melhores Restaurantes. Os mais ricos do Universo. Os mais bem pagos do cinema, esporte, televisão.
Talvez eu seja burro demais, mas não consigo comparar certas coisas.
Por exemplo, eu posso fazer uma lista dos meus 10 melhores amigos. Nunca contei para saber quantos são. E nem tão pouco posso dizer qual deles está na frente no meu ranking dos prediletos. São todos amigos e ponto.
Não sei qual a minha comida preferida. Sei quais as que gosto, mas se me derem Purê de Batata todo dia, ele vai cair na minha cotação.
Não sei qual foi o dia mais feliz da minha vida. Não sei qual meu irmão ou sobrinho preferido. Não tenho certeza de qual foi minha melhor viagem, nem minha melhor atuação em partida de buraco.
Não sei qual foi os beijos e olha que nem foi um grande beijoqueiro. Lembro dos grandes abraços, mas não posso dizer qual deles foi o mais gostoso. Seria uma grande injustiça que faria com todos os outros.
O filósofo tinha razão quando disse: Tudo que sei é que nada sei.
No meu caso, sei pouca coisa. E essas eu guardo só para mim.
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