08 agosto 2009

Doce companhia

As poucas mulheres que passaram uma noite comigo, sempre disseram que sou bom de cama. Não, calma. Isso não faz nenhuma menção com meu modesto desempenho sexual. A afirmação tem relação direta com a absurda facilidade que tenho de dormir.

Basta apenas eu dizer o bom e velho “boa noite”, e fechar os olhos. Poucos segundos separam as derradeira frase, da tremida que anuncia minha estada nos braços de Orfeu.

Sou melhor ainda quando entro no avião. Se durmo pouco na noite anterior, então, ninguém me segura. Antes mesmo de levantar vôo, eu já estou em alfa. Raras vezes, percebo o decolar.

Pois bem. Foram pouco menos de três horas de repouso entre o delicioso show da Banda Glória e o despertar para o trabalho do sábado cedo. Mais três voltas do ponteiro e o almoço, depois direto para o aeroporto.

O trecho que divide as capitais paulista e carioca demora pouco mais de meia hora. Tem mais aquele tempo até levantar asas, daria uns cinqüenta minutos de sono...

Daria...

Ao ver que ao lado minha poltrona encontrava-se uma linda menina de sete anos com a perna quebrada, percebi que meus planos corriam sério risco. Antonia, galega como a Maria e o Heitor, voltava do Chile e me ganhou de cara.

Foram cinqüenta deliciosos minutos de vôo. A história de como quebrou o fêmur quando esquiava. A vida em Petrópolis, a casa de praia e Angra, as duas semanas a mais de férias pela gripe, suína, tudo..

Inteligência, simpatia e ingenuidade impressionantes. Um sorriso lindo, uma altivez cativante..

Não dormi, mas descansei como se tivesse hibernado por anos...

11 julho 2009

O imã e o pastor

Quando entrou na sala, o imã Muhammad Ashafa deparou com seu maior inimigo, o pastor pentecostal James Wuye. Sentiu seu sangue borbulhar. Ali estava o homem que havia liderado a milícia cristã que matara seu mentor espiritual, dois primos e vários amigos. Muhammad virou o rosto. Ao ver o imã, um arrepio de ódio trespassou o corpo do pastor. Sua mão esquerda apertou a direita. Ele sentiu a textura fria da prótese. O muçulmano que respirava o mesmo ar que ele na sala repentinamente abafada comandara a milícia islâmica que decepara seu braço com um golpe de machete. Líderes religiosos, eles haviam sido chamados à casa de governo de Kaduna, no centro da Nigéria, para discutir uma campanha de vacinação contra a poliomielite. Entre os dois, pairava o fantasma de milhares de cadáveres. Seu único desejo era matar. Um ao outro.

O que aconteceu nos minutos seguintes vem mudando o mundo – deles e de todos nós. Um jornalista que os conhecia puxou o pastor e tocou o ombro do imã. Apresentou-os. Juntou suas mãos e disse: “O futuro deste país está em suas mãos. Vocês podem construir ou destruir a Nigéria”. Os dois se encararam, sem armas pela primeira vez. “Até então, eu vinha rezando com fervor por uma oportunidade de vingar minha mão”, diz James. “Quando ele pôs a mão sobre a minha, meu coração estava disparado”, afirma Muhammad. “Como vou me relacionar com esse cara? E as minhas feridas? E a minha vingança? Quando o vi, senti todas as feridas que cicatrizavam dentro de mim abrindo novamente. Eu suava. Meu rosto sorria para ele, mas, por dentro, eu fervia.”

O pastor James Wuye e o imã Muhammad Ashafa contaram sua história durante sua primeira visita ao Brasil, no final de junho, para trazer sua experiência ao Antídoto – Seminário internacional de ações culturais em zonas de conflito, a convite do Itaú Cultural. Ao ouvi-los, a pergunta que ecoa sem parar é: como foi possível para aqueles dois homens superar tanto ódio, tanta dor, tanto sangue derramado?

James e Muhammad são a síntese do conflito religioso que divide a Nigéria, ocupada ao norte por muçulmanos, ao sul por cristãos. No centro do país, Kaduna, onde ambos vivem, é espremida por forças opostas. As disputas religiosas são a porção mais visível das diferenças acirradas pela colonização britânica. Em 1914, os ingleses juntaram sul e norte, num país inventado em gabinete. No lado de dentro das fronteiras riscadas no papel, uma população dividida em 250 etnias, com costumes e culturas diferentes, fervilhava em ódios mútuos. Com 150 milhões de habitantes separados em trincheiras de rancor, a Nigéria está sempre a um segundo de explodir.

Para o pastor e o imã, o ponto de virada começou em maio de 1995, naquele aperto de mãos na sede da administração de Kaduna. Mas somente um ano depois voltaram a se encontrar em público para o primeiro de muitos diálogos inter-religiosos. Durante o ano que passou, Muhammad deu o primeiro passo, ao procurar James na igreja. Ao vê-lo em território inimigo, o cristão concluiu que o muçulmano pretendia obter informações estratégicas para usar no próximo conflito. Vinha não para se aproximar, mas para espionar. Estava certo, como confessou Muhammad depois. Mas, aos poucos, algo começou a acontecer com eles. Dentro deles. Descobriram-se mais semelhantes que diferentes.

O muçulmano e o cristão perceberam que sua infância fora parecida, que vinham do mesmo gueto, tinham os mesmos medos e as mesmas aspirações, ambos olhavam para mulheres bonitas e gostavam de futebol. “Quando conversamos, descobrimos que ambos tivemos uma juventude bastante aventureira. Eu perguntava: ‘Você também fez isso? Oh, boy!’”, diz o pastor James. Trocam olhares cúmplices. Mas nenhum dos dois conta o que ambos tinham feito na tal “juventude aventureira”.

09 junho 2009

Caixa de entrada

Amigo de longa, me mandou esse email. Na verdade, mandou para bastante gente, eu só tive a honra de estar na lista..

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“Combati o bom combate, acabei a corrida, guardei a fé”, assim é um trecho da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo, capítulo 4, versículo 7.

Assim, citando uma das mais belas passagens da Bíblia e fonte para jamais me deixar abater diante das dificuldades, que me deparo com o término de uma grande jornada. A partir sai o homem, o marido e entra em primeiro e único lugar o pai.

Encerra-se um ciclo de pensar em mim e parte para cuidar única e exclusivamente em outra vida, mas não há o temer. Em 37 anos de vida, a esmagadora deles muito bem vividos, eu aprendi que só não há jeito para escapar da morte, é clichê, é?? Mas foi o que de melhor me veio neste momento.

Pois bem, amigos, é hoje o primeiro grande dia de muitos que virão pela frente. Por volta das 16h30, dona Edna dará a luz a nossa amada filha, quero compartilhar com todos vocês a alegria de colocar um mais um ser humano neste mundo e celebrarmos a vida, dom maior que Deus nos proporciona.

São muitos os que contribuíram para que o casal Edna e Rosa chegasse neste momento certo de que fizemos a melhor escolha de nossas vidas, que seria cometer grandes injustiças passar a citar este ou aquele, com o risco de deixar escapar alguém.

Em todo caso, fica aqui o convite para vocês conhecerem mais tarde a Bagunchinha, que depois de idas e vindas será registrada como Anna Rhubia Santos Rosa..."

Lindo, meu amigo