quinta-feira, 12 de novembro de 2009
30 Vela, no singular mesmo
A história começa sábado passado, quando o Bat entrou no campo aconteceu o inevitável. A pergunta veio na minha cabeça: “há quanto tempo, a gente não consegue ter o prazer de jogar bola junto”.
Tá certo, nunca fomos do nível dele. Mas também estávamos longe de não sermos escolhidos para os dois primeiros times, e assim ficar para na incômoda situação de o primeiro próximo, posto sempre ocupado pelo saudoso Zé Asa.
Difícil entender quando as coisas começam, ganham velocidade, chegam ao auge, diminuem, até ficarem quase paradas. E voltam de novo, correm, atingem o topo...
Apesar da quadra ser o ponto alto, tudo se deve ao palco. Pelo menos é o que diz minha péssima memória. Não fostes tu o protagonista, o dono da porca; e eu o santo mudo, não teria a mesma força.
Sob o comando das três irmãs, aprendemos juntos a brincar de fantasia. De se comunicar sem palavras e brincar com o improviso. De estar pronto para o erro, em estado de alerta para superar o esquecimento, e doido de vontade de fazer graça.
Parece bobagem. Mas quando ouço você dizer que sabe como jogo, é porque conhece minha forma de pensar. Entende o que eu digo, mesmo sem pronunciar uma palavra. E sabe como funciona meu improviso.
O palco é tão importante quanto o campo. É ali, vestido e fantasiado como nos nossos sonhos, que conseguimos sair do nosso papel, da nossa vida. Para estar por poucos momentos em lugares que nunca chegaríamos no dia-a-dia.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Os astros
Mesmo sabendo que as quatro semanas lunares tem 28 dias e o mês tem 30, 31, 28, as vezes 29?
Por que será que umas pessoas querem antes saber o signo e depois, a família, os amigos, a religião, a história?
Nascido em gêmeos, me considero bem mais que isso. Sou filho de professores, irmão de músicos e militares. Neto de descentes de escravos, portugueses e espanhóis. Amigo de gente de tudo quanto é jeito, só para dar o exemplo familiar.
Com todo respeito a astros, estrelas e planetas. Vocês intrigam, ajudam, indicam o bom caminho aos navegantes e as marés aos pescadores. Mas da minha história e do meu jeito de ser, desculpem, vocês não dão palpite.
domingo, 9 de agosto de 2009
Dia dos pais
Papai do Céu, o primeiro e mais importante, obrigado pelo seu substituto..
Meu Pai, obrigado pelo carinho, educação e amor que dá desde sempre.
Meus três irmãos, obrigado por terem me dado o prazer a honra de ser pai dos vossos filhos algumas horas por semana.
Fiel, filho, irmão, tio e padrinho.
Na certeza que e alguns momentos desses meus papéis também sou pai de vez em quando.
sábado, 8 de agosto de 2009
Doce companhia
As poucas mulheres que passaram uma noite comigo, sempre disseram que sou bom de cama. Não, calma. Isso não faz nenhuma menção com meu modesto desempenho sexual. A afirmação tem relação direta com a absurda facilidade que tenho de dormir.
Basta apenas eu dizer o bom e velho “boa noite”, e fechar os olhos. Poucos segundos separam as derradeira frase, da tremida que anuncia minha estada nos braços de Orfeu.
Sou melhor ainda quando entro no avião. Se durmo pouco na noite anterior, então, ninguém me segura. Antes mesmo de levantar vôo, eu já estou em alfa. Raras vezes, percebo o decolar.
Pois bem. Foram pouco menos de três horas de repouso entre o delicioso show da Banda Glória e o despertar para o trabalho do sábado cedo. Mais três voltas do ponteiro e o almoço, depois direto para o aeroporto.
O trecho que divide as capitais paulista e carioca demora pouco mais de meia hora. Tem mais aquele tempo até levantar asas, daria uns cinqüenta minutos de sono...
Daria...
Ao ver que ao lado minha poltrona encontrava-se uma linda menina de sete anos com a perna quebrada, percebi que meus planos corriam sério risco. Antonia, galega como a Maria e o Heitor, voltava do Chile e me ganhou de cara.
Foram cinqüenta deliciosos minutos de vôo. A história de como quebrou o fêmur quando esquiava. A vida em Petrópolis, a casa de praia e Angra, as duas semanas a mais de férias pela gripe, suína, tudo..
Inteligência, simpatia e ingenuidade impressionantes. Um sorriso lindo, uma altivez cativante..
Não dormi, mas descansei como se tivesse hibernado por anos...
sábado, 11 de julho de 2009
O imã e o pastor
O que aconteceu nos minutos seguintes vem mudando o mundo – deles e de todos nós. Um jornalista que os conhecia puxou o pastor e tocou o ombro do imã. Apresentou-os. Juntou suas mãos e disse: “O futuro deste país está em suas mãos. Vocês podem construir ou destruir a Nigéria”. Os dois se encararam, sem armas pela primeira vez. “Até então, eu vinha rezando com fervor por uma oportunidade de vingar minha mão”, diz James. “Quando ele pôs a mão sobre a minha, meu coração estava disparado”, afirma Muhammad. “Como vou me relacionar com esse cara? E as minhas feridas? E a minha vingança? Quando o vi, senti todas as feridas que cicatrizavam dentro de mim abrindo novamente. Eu suava. Meu rosto sorria para ele, mas, por dentro, eu fervia.”
O pastor James Wuye e o imã Muhammad Ashafa contaram sua história durante sua primeira visita ao Brasil, no final de junho, para trazer sua experiência ao Antídoto – Seminário internacional de ações culturais em zonas de conflito, a convite do Itaú Cultural. Ao ouvi-los, a pergunta que ecoa sem parar é: como foi possível para aqueles dois homens superar tanto ódio, tanta dor, tanto sangue derramado?
James e Muhammad são a síntese do conflito religioso que divide a Nigéria, ocupada ao norte por muçulmanos, ao sul por cristãos. No centro do país, Kaduna, onde ambos vivem, é espremida por forças opostas. As disputas religiosas são a porção mais visível das diferenças acirradas pela colonização britânica. Em 1914, os ingleses juntaram sul e norte, num país inventado em gabinete. No lado de dentro das fronteiras riscadas no papel, uma população dividida em 250 etnias, com costumes e culturas diferentes, fervilhava em ódios mútuos. Com 150 milhões de habitantes separados em trincheiras de rancor, a Nigéria está sempre a um segundo de explodir.
Para o pastor e o imã, o ponto de virada começou em maio de 1995, naquele aperto de mãos na sede da administração de Kaduna. Mas somente um ano depois voltaram a se encontrar em público para o primeiro de muitos diálogos inter-religiosos. Durante o ano que passou, Muhammad deu o primeiro passo, ao procurar James na igreja. Ao vê-lo em território inimigo, o cristão concluiu que o muçulmano pretendia obter informações estratégicas para usar no próximo conflito. Vinha não para se aproximar, mas para espionar. Estava certo, como confessou Muhammad depois. Mas, aos poucos, algo começou a acontecer com eles. Dentro deles. Descobriram-se mais semelhantes que diferentes.
O muçulmano e o cristão perceberam que sua infância fora parecida, que vinham do mesmo gueto, tinham os mesmos medos e as mesmas aspirações, ambos olhavam para mulheres bonitas e gostavam de futebol. “Quando conversamos, descobrimos que ambos tivemos uma juventude bastante aventureira. Eu perguntava: ‘Você também fez isso? Oh, boy!’”, diz o pastor James. Trocam olhares cúmplices. Mas nenhum dos dois conta o que ambos tinham feito na tal “juventude aventureira”.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Caixa de entrada
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“Combati o bom combate, acabei a corrida, guardei a fé”, assim é um trecho da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo, capítulo 4, versículo 7.
Assim, citando uma das mais belas passagens da Bíblia e fonte para jamais me deixar abater diante das dificuldades, que me deparo com o término de uma grande jornada. A partir sai o homem, o marido e entra em primeiro e único lugar o pai.
Encerra-se um ciclo de pensar em mim e parte para cuidar única e exclusivamente em outra vida, mas não há o temer. Em 37 anos de vida, a esmagadora deles muito bem vividos, eu aprendi que só não há jeito para escapar da morte, é clichê, é?? Mas foi o que de melhor me veio neste momento.
Pois bem, amigos, é hoje o primeiro grande dia de muitos que virão pela frente. Por volta das 16h30, dona Edna dará a luz a nossa amada filha, quero compartilhar com todos vocês a alegria de colocar um mais um ser humano neste mundo e celebrarmos a vida, dom maior que Deus nos proporciona.
São muitos os que contribuíram para que o casal Edna e Rosa chegasse neste momento certo de que fizemos a melhor escolha de nossas vidas, que seria cometer grandes injustiças passar a citar este ou aquele, com o risco de deixar escapar alguém.
Em todo caso, fica aqui o convite para vocês conhecerem mais tarde a Bagunchinha, que depois de idas e vindas será registrada como Anna Rhubia Santos Rosa..."
Lindo, meu amigo
quinta-feira, 26 de março de 2009
De onde ele nunca deveria ter saído
Filho da garoa e neto da gandaia, ele parecia disposto a largar a mal falada família para se entregar ao novo amor. Fez tudo como manda o figurino. Ligou e escreveu à nova amada. E avisou aos amigos que estava em viés de alta, tal como a CELIC.
As ligações, para sua nobre surpresa, não foram sequer atendidas. Azar, pensou ele. Tentou os recursos digitais, email, Orkut e mais um monte de coisas que, com minha ignorância nesse sentido, não sei explicar.
Não houve, mais uma vez, nenhuma evolução no contato direto.
Já desolado, ela teve a impressão de ter a visto na rua. Encheu o peito de coragem e pumba: escreveu de novo, via mensagem de celular. Era o dia de sorte do meu bom amigo. Cinco minutos depois, mensagem respondida.
Ele fez a tréplica, tal como um político nos debates eleitorais. E era mesmo a lua dele. Mais rápida ainda a resposta voltou. Era a hora da cartada final.
A mensagem dele era simples, queria ligar para ela e parar de mandar mensagem, que ele diz detestar fazer.
Foi seu erro.
Ficou sem resposta. Tentou ligar, não foi atendido. Desolado.
Ligou para sua mãe e avó. Horas depois estava de novo, sob a saia da garoa, de mão dada com a gandaia, de onde, agora ele parece saber, nunca deveria ter saído.
quarta-feira, 11 de março de 2009
O trem que chega é o mesmo trem da partida
A frase não é minha, alias, acho que nunca fiz uma sentença minha mesmo. Tudo que escrevo ou falo são palavras e pensamentos picados que juntei ao longo e transformei no meu repertório.
Mas bem que poderia ter sido criada por mim. Poucas vezes um grupo de palavras juntas expressou de forma tão clara o meu sentimento durante um dia.
Ele começou cedo, quando a luz azul do meu celular avisou que uma mensagem de texto me aguardava para ser lida. Podia ser tanta gente, tanta coisa, que esperei um pouco para levantar da cama e ler.
Domingo, as oito e pouco da manhã, não é comum receber mensagem, ainda mais sendo eu um rapaz solteiro. A noite curta e o pouco tempo de sono me impediram de ver na hora o que aquela luz azul queria me dizer.
A frase era curta, mas a notícia era ótima. Dizia assim: Sua sobrinha nacerá hoje (É, a emoção fez meu irmão esquecer a letra S que vem antes de C).
Os mais de 500 quilômetros que me separavam do acontecimento me deram um misto de emoções. A felicidade pela chegada da Malu, que já veio com apelido. A apreensão que envolve o parto e, por incrível que pareça, a saudade de alguém que ainda nem tinha nascido.
Dali um tempo a ansiedade me fez ligar para saber notícias do parto. Dessa vez a conversa foi mais longa e a notícia péssima.
Não, nada em relação à Maria Luiza que ainda esperava a chegada do médico para mostrar a carinha linda que vi dias depois.
Mas justamente na outra ponta da família, uma estrelinha nos deixava para morar ao lado do Papai do Céu para sempre.
Mais uma vez a distância me derrubou. Queria estar perto, celebrar com um irmão e chorar com o outro. Ver o sorriso de uma cunhada e sofrer com as lágrimas da outra.
Cheguei a pedir a Deus para que as coisas não acontecessem no mesmo dia. A chegada estava marcada para o dia 11 e a partida, que já sabíamos era inevitável, aconteceria quando Deus mandasse.
Errado. As duas coisas vieram no dia que Papai do Céu entendeu ser o melhor.
O trem que chega foi, de fato, o mesmo trem da partida.
Ou como me disse aquele metido a ateu: Foi-se uma estrela e chegou uma outra.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Para você
Passa um tempo e a vida fica parecida com o jogo de bola da pré-escola. Em quase tudo, temos que vencer ou seremos derrotados. E os empates passam a ser artigos raros, quase que um sonho de criança, onde todos saem felizes, ou pelo menos não tristes.
Cada derrota deixa uma lição e principalmente um vencedor que tem algo a mais que nós. Nos serve de estímulo para sermos melhores e tentarmos estar mais fortes para a batalha seguinte.
Perdi para muita gente boa e nunca consegui, por mais que tentasse, chegar perto da qualidade dos vencedores. Mas perdi para muitos piores que eu, quando não me preparei ou não me concentrei completamente.
De todos meus adversários, um eu nunca conseguir combater: o medo. Por vezes ele estava em mim, em outras tantas estava justamente do outro lado. Quando era eu que tinha tal sentimento guardado era até mais fácil. Brigava, lutava e conseguia passar..
Mas quando é em você.... Não é só mais doloroso, é mais difícil. Fico refém de algo que não deixa lutar. Uma coisa que me amarra sem cordas ou algemas, que me deixa sem saber em qual direção devo seguir.
Talvez seja hora de deixar que a vida me mostre o melhor caminho. Tempo de parar e esperar ver no que a vida dá.
Ou não. Pode ser a oportunidade de lutar ..
O que machuca mesmo é não saber a resposta
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Menina
A voz do outro lado da linha é a mesma. O rosto que vem a memória também é aquele que o tempo não consegue apagar da cabeça. A história é quase secreta. Pouca gente sabe. Talvez só os dois envolvidos no caso.
Lembra de uma promessa antiga. Na verdade, ela nem termina de falar e ele responde. Diz saber do que se trata. E que o trato, garante, estará de pé. Que os anos entre o acordo e os dias atuais não fizeram com que o pacto fosse esquecido.
Deixado de lado durante anos, eles parecem saber do que falam. Não era conversa criança. Afinal eles passaram há um bom tempo da adolescência e não esqueceram aquele assunto, nem daquele sentimento, daquele carinho.
O tempo é curto. Também foi da última que vez que se aproximaram. Como daquela vez, a decisão de um dos lados está tomada. O outro torce para a sorte e felicidade dela, mas no fundo sofre um pouco. Talvez quisesse que algo desse errado. Ou sonha ter um cavalo branco para impedir tudo aquilo, como em um filme.
A conversa não é rápida. Repleta de histórias e lembranças, algumas lamentações destoam das risadas que sempre marcaram o relacionamento. O riso que nem a distância não apagou. Muito pelo contrário. Quanto mais longe, a saudade faz com cada conversa entre eles seja quase uma festa.
Nostalgia. Carinho. Respeito. Promessa. Risada.
E quem sabe um dia essa linha paralela quebre a regra matemática. Se cruze. E complete aquilo que eles por vezes acham ser o destino de ambos.